Com dois filmes na Mostra, Ugo Giorgetti diz que filma mesmo sem dinheiro
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MARTHA LOPES
colaboração para a Folha Online
| Divulgação |
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| "Solo", com monólogo de Antonio Abujamra, integra programação da Mostra de Cinema |
Depois dos longas "Boleiros - Era uma Vez o Futebol" (1998), "O Príncipe" (2002) e "Boleiros 2 - Vencedores e Vencidos" (2004), Ugo Giorgetti leva à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo duas produções. "Solo" e "Paredes Nuas" são marcados pelo foco nas atuações dos atores, com estrutura similar a de teatro. Juntos, os filmes custaram R$ 900 mil.
"Solo", que retrata um monólogo interpretado por Antonio Abujamra, surgiu do desejo de Giorgetti de produzir um texto para um amigo apresentar. Já "Paredes Nuas" reúne nomes representativos do teatro paulista, como Juliana Galdino --Prêmio Shell 2002 por "Medeia", de Antunes Filho. Na trama, quatro personagens discutem a prisão de um homem, acusado de crimes financeiros.
Em entrevista ao Guia da Folha Online, Ugo Giorgetti aponta que as duas produções custaram "muito menos do que um longa-metragem médio". Ele conclui: "O que significa que, se me derem dinheiro, eu filmo, se não me derem, eu filmo do mesmo jeito. Mas eu não vou parar de filmar e ficar me lamentando por aí. Eu tenho que filmar, eu filmo, sou um cineasta."
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| "Paredes Nuas", com artistas de teatro, mostra repercussão da prisão do dono de uma casa |
Um dos redutores dos gastos é a estrutura teatral que marca os dois filmes. Segundo o diretor, "um filme de viés teatral é, ao mesmo tempo, barato. A maneira mais fácil de ter uma produção limitada --e isso é um mandamento do cinema-- é ter um único lugar [para filmar], onde é tudo controlado. Se você for criativo é um filme como outro qualquer, muitas vezes até melhor".
Ajuda de custo
"Solo" foi feito com o financiamento da Lei Mendonça, de incentivo à cultura da cidade de São Paulo. Ela permite que uma pessoa física ou jurídica patrocine um projeto cultural e deduza parte do valor aplicado no Imposto Sobre Serviços (ISS) ou no Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).
"Paredes Nuas" foi agraciado com um "esquema perfeito", na opinião de Giorgetti. O filme foi selecionado pelo edital da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que oferece um montante fixo para a produção --R$ 600 mil-- e garante a exibição da fita na televisão. "O drama do cineasta é, primeiro, ter dinheiro, depois é exibir o filme. É tudo o que o cineasta quer", esclarece o diretor.
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