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05/11/2009 - 14h55

Documentário mostra proibição islâmica relacionada à mulher e à música

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

da Folha Online

Divulgação
Não É uma Ilusão
Sara (esq.), protagonista de "Não É uma Ilusão", sonha com carreira solo nos palcos

Prato cheio de indignação, as leis da República Islâmica do Irã continuam a narrar roteiros no cinema. Na 33ª Mostra Internacional de Cinema, dois títulos pulam aos olhos, não por acaso. Poucas histórias chocam tanto quanto uma mulher ser apedrejada, acusada de trair o marido. É isso que acontece em "O Apedrejamento de Soraya M." , de Cyrus Nowrasteh, que demanda uma certa coragem para assistir. E uma mulher não poder cantar sozinha em público? Essa é a outra história.

No documentário "Não É uma Ilusão", a diretora Torang Abedian acompanha o esforço de Sara Naieni, uma jovem iraniana de Teerã, para se tornar cantora. De acordo com as leis, determinadas por Deus e pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, as mulheres só podem fazer segunda voz em bandas que tenham, no mínimo, dois homens e mais duas mulheres nos backing vocals. "Deus não quer ouvir a voz das mulheres nas orações", dizem os clérigos.

Privada de um outro talento quando pequena, a ginástica olímpica --a cantora se acidentou ao tentar pular o muro de sua casa e hoje se locomove com a ajuda de muletas--, Sara encontra refúgio na banda Piccolo, liderada por Kaveh, um corista da Orquestra Sinfônica de Teerã.

Como qualquer banda iniciante, enfrentar dificuldades é de praxe e Abedian não dramatiza esse fato, apesar do contexto dramático em que todos ali estão inseridos. Cenas da preparação para o primeiro show --que aconteceria na sala de convenções de um hospital da cidade, mas que antes teria que passar pelo crivo do Ministério no ensaio oficial--, da apresentação na casa do embaixador do Paquistão --onde Sara assume o microfone dianteiro, com maquiagem forte e sem o lenço escondendo os invejáveis cabelos negros--, do show que reuniu 2.000 pessoas em praça pública e de uma apresentação histórica que não aconteceu são as que tomam maior parte da produção.

No quarto, Sara pode gritar à vontade, desde que sua voz não "incomode" a vizinhança. "Tem cara que sai de casa e anda três quarteirões para reclamar da minha música, por mais que isso não o incomode de verdade", conta um dos integrantes da banda no filme. Mesmo assim, a jovem recorre ao guarda-roupa para atingir o resultado vocal desejado na performance de "Can't Take That Away", um hit de Mariah Carey, que aparece no repertório da iraniana ao lado de muitos de Celine Dion e outras divas pop que são referência para muitas cantoras do Oriente Médio.

Durante os 85 minutos de filme, Abedian pincela história de guerras e a reclusão de cantoras que um dia foram famosas, e que hoje ensinam o canto tradicional às novas gerações nas salas de suas casas.

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