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27/09/2009 - 16h10

Comemore o Dia de São Cosme e São Damião com comidas típicas

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

ANA PAULA BONI
da Revista da Folha

O cheiro untuoso de azeite de dendê inunda casas baianas quando chega 27 de setembro. Parece pleonasmo. Mas, nessa data, o que já é da cultura cotidiana ganha um reforço: verdadeiros tropéis procuram onde comer, de graça, o tradicional "caruru dos sete meninos". É quando se homenageia os santos gêmeos Cosme e Damião, não importa se em casa de católico, de devoto do candomblé ou de incrédulo.

Newton Santos/Hype/Folha Imagem
Panela com xinxim de galinha (foto) do Barra Baiana, um dos pratos servidos no tradicional caruru de são Cosme e são Damião
Panela com xinxim de galinha (foto), do Barra Baiana, em São Paulo

Numa escala reduzida, restaurantes em São Paulo espalharão hoje no ar esse aroma inconfundível. São casas de baianos e paulistanos que seguem a tradição --alguns nem tão à risca--, oferecendo o prato típico: caruru, vatapá, xinxim de galinha, acarajé, feijão-fradinho, entre outros. O xinxim, menos conhecido por aqui, leva dendê, camarão seco e castanha.

A crença nasceu quando os portugueses introduziram no Brasil a devoção a esses santos, nascidos no século 3º. Os escravos sincretizaram são Cosme e são Damião e a eles ofereciam o banquete regado a dendê. O costume manda servir a comida a sete meninos de rua, em homenagem aos gêmeos e a seus cinco irmãos, ao lado de doces e brinquedos.

Dentro do caruru, vão sete quiabos inteiros. Quem pegar um deles deve passar a tradição adiante, por sete anos. Mas, antes que a regra impeça alguém de comer as iguarias hoje, nem na Bahia as crenças são fielmente seguidas. Em São Paulo, alguns restaurantes servem o caruru de graça, outros não. Escolha onde comer o seu.

Soteropolitano
Desde que abriu o restaurante, há 14 anos, o baiano Júlio Valverde oferece gratuitamente o caruru. A devoção foi herdada da sogra, católica. "Ela nos ajudou muito na inauguração. Morreu três meses depois, de câncer." O caruru virou uma homenagem a ela. É comida para 200 pessoas, em pratos montados com 12 itens: caruru, vatapá, acarajé, xinxim de galinha, feijão-fradinho de dendê, arroz, farofa de dendê, pipoca, rapadura, coco, cana-de-açúcar e banana-da-terra. Será servido das 17h às 20h.
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Rota do acarajé
Luísa Saliba e Ricardo Gil são paulistas, mas gostam tanto da Bahia que não só mantêm um restaurante típico como oferecem o caruru desde que o lugar foi aberto, em 2002. "É um ritual de respeito à cultura baiana", diz Luísa, que adaptou a receita. Lá, eles servem, no lugar do xinxim de galinha, um frango de leite, que também leva azeite de dendê, mas ao qual é acrescentado leite de coco. No prato, ainda vão caruru e arroz com leite de coco. A festa começa após uma reza, às 18h.
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Acarajé da Inês
O caruru começou a ser oferecido em sua casa, em Salvador, sempre no aniversário das filhas, gêmeas, como Cosme e Damião". Devota de verdade Maria Inês dos Santos nunca foi. "Eu me identifico com o espiritismo." Mas, desde que abriu o restaurante, há dois anos, serve de graça o caruru do dia 27. Nada de altar com imagem dos santos, mas tem xinxim de galinha, caruru, vatapá, arroz e farofa para quem aparecer.
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Pão de festa
O primeiro caruru foi feito para divulgar a casa. Foram sete anos de oferenda, até 2004, quando a comida era de graça. Os sócios baianos Carlos Maltez e Suely Lemos dos Santos não são devotos, mas conhecem a tradição. Montavam um altar, com flores e doces para as crianças. Agora, quem quiser prestigiar a data, paga R$ 23 por um prato que soma caruru, xinxim, vatapá, farofa, feijão fradinho, arroz e acarajé servido aos sábados e domingos.
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Barra baiana
Em São Paulo desde 1974, Vanda Barreto costumava servir o caruru em casa. Quando abriu o restaurante, há quatro anos, parou com a oferenda. "Tenho medo de as pessoas acharem que é macumba. Já sofri muito preconceito." Olhares malevolentes, no entanto, não impediram que a tradição entrasse no cardápio. Para duas pessoas, por R$ 75, ela serve xinxim de galinha, caruru, farofa de dendê e arroz. O vatapá não está incluso a porção para duas pessoas custa R$ 20.

r. Dr. Cândido Espinheira, 334, Perdizes, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3666-5565. Seg. a sex.: 11h30 às 15h. Sáb., dom. e fer.: 12h às 17h. Classificação etária: livre.

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