Comemore o Dia de São Cosme e São Damião com comidas típicas
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ANA PAULA BONI
da Revista da Folha
O cheiro untuoso de azeite de dendê inunda casas baianas quando chega 27 de setembro. Parece pleonasmo. Mas, nessa data, o que já é da cultura cotidiana ganha um reforço: verdadeiros tropéis procuram onde comer, de graça, o tradicional "caruru dos sete meninos". É quando se homenageia os santos gêmeos Cosme e Damião, não importa se em casa de católico, de devoto do candomblé ou de incrédulo.
| Newton Santos/Hype/Folha Imagem |
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| Panela com xinxim de galinha (foto), do Barra Baiana, em São Paulo |
Numa escala reduzida, restaurantes em São Paulo espalharão hoje no ar esse aroma inconfundível. São casas de baianos e paulistanos que seguem a tradição --alguns nem tão à risca--, oferecendo o prato típico: caruru, vatapá, xinxim de galinha, acarajé, feijão-fradinho, entre outros. O xinxim, menos conhecido por aqui, leva dendê, camarão seco e castanha.
A crença nasceu quando os portugueses introduziram no Brasil a devoção a esses santos, nascidos no século 3º. Os escravos sincretizaram são Cosme e são Damião e a eles ofereciam o banquete regado a dendê. O costume manda servir a comida a sete meninos de rua, em homenagem aos gêmeos e a seus cinco irmãos, ao lado de doces e brinquedos.
Dentro do caruru, vão sete quiabos inteiros. Quem pegar um deles deve passar a tradição adiante, por sete anos. Mas, antes que a regra impeça alguém de comer as iguarias hoje, nem na Bahia as crenças são fielmente seguidas. Em São Paulo, alguns restaurantes servem o caruru de graça, outros não. Escolha onde comer o seu.
Soteropolitano
Desde que abriu o restaurante, há 14 anos, o baiano Júlio Valverde oferece gratuitamente o caruru. A devoção foi herdada da sogra, católica. "Ela nos ajudou muito na inauguração. Morreu três meses depois, de câncer." O caruru virou uma homenagem a ela. É comida para 200 pessoas, em pratos montados com 12 itens: caruru, vatapá, acarajé, xinxim de galinha, feijão-fradinho de dendê, arroz, farofa de dendê, pipoca, rapadura, coco, cana-de-açúcar e banana-da-terra. Será servido das 17h às 20h.
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Rota do acarajé
Luísa Saliba e Ricardo Gil são paulistas, mas gostam tanto da Bahia que não só mantêm um restaurante típico como oferecem o caruru desde que o lugar foi aberto, em 2002. "É um ritual de respeito à cultura baiana", diz Luísa, que adaptou a receita. Lá, eles servem, no lugar do xinxim de galinha, um frango de leite, que também leva azeite de dendê, mas ao qual é acrescentado leite de coco. No prato, ainda vão caruru e arroz com leite de coco. A festa começa após uma reza, às 18h.
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Acarajé da Inês
O caruru começou a ser oferecido em sua casa, em Salvador, sempre no aniversário das filhas, gêmeas, como Cosme e Damião". Devota de verdade Maria Inês dos Santos nunca foi. "Eu me identifico com o espiritismo." Mas, desde que abriu o restaurante, há dois anos, serve de graça o caruru do dia 27. Nada de altar com imagem dos santos, mas tem xinxim de galinha, caruru, vatapá, arroz e farofa para quem aparecer.
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Pão de festa
O primeiro caruru foi feito para divulgar a casa. Foram sete anos de oferenda, até 2004, quando a comida era de graça. Os sócios baianos Carlos Maltez e Suely Lemos dos Santos não são devotos, mas conhecem a tradição. Montavam um altar, com flores e doces para as crianças. Agora, quem quiser prestigiar a data, paga R$ 23 por um prato que soma caruru, xinxim, vatapá, farofa, feijão fradinho, arroz e acarajé servido aos sábados e domingos.
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Barra baiana
Em São Paulo desde 1974, Vanda Barreto costumava servir o caruru em casa. Quando abriu o restaurante, há quatro anos, parou com a oferenda. "Tenho medo de as pessoas acharem que é macumba. Já sofri muito preconceito." Olhares malevolentes, no entanto, não impediram que a tradição entrasse no cardápio. Para duas pessoas, por R$ 75, ela serve xinxim de galinha, caruru, farofa de dendê e arroz. O vatapá não está incluso a porção para duas pessoas custa R$ 20.
r. Dr. Cândido Espinheira, 334, Perdizes, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3666-5565. Seg. a sex.: 11h30 às 15h. Sáb., dom. e fer.: 12h às 17h. Classificação etária: livre.
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