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11/02/2012 - 11h01

Prestes a lançar disco, Kamau faz show gratuito neste sábado

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

RAFAEL GREGORIO
DE SÃO PAULO

Jess Penido/Divulgação
Rapper paulistano Kamau (foto) faz show gratuito neste sábado na praça Victor Civita (zona oeste de São Paulo), a partir das 17h
Rapper paulistano Kamau (foto) faz show gratuito neste sábado na praça Victor Civita (zona oeste de São Paulo), a partir das 17h

Prestes a lançar um disco, o MC Kamau, 35, dispara suas rimas e batidas neste sábado (11), a partir das 17h, na praça Victor Civita (zona oeste de São Paulo). O show é grátis.

A iniciativa é do projeto Conexões, promovido pelo Sesc Pinheiros em espaços abertos vizinhos à unidade.

Veterano na cena hip-hop que ora desponta, Kamau recebe o DJ Erick Jay e o rapper Renan Samam nesta apresentação, e se diz feliz pela oportunidade de "um show em que todo mundo pode 'colar', sem restrições".

No repertório, uma mistura de canções de toda a carreira. Destaque para "Poesia de Concreto", que em 2011 ganhou espaço em livro didático destinado a estudantes do ensino fundamental em São Paulo.

O disco, ele diz, se chamará "Entre", palavra cheia de sentidos: por um lado, dialoga com o momento de transição na carreira --entre um disco e outro-- e da vida, "algo como fechar para balanço". Por outro, um convite à entrada na mente do músico para descobrir o que ali acontece.

Informe-se sobre o evento

*

LEIA ENTREVISTA COM KAMAU:

Guia Folha - Qual a expectativa para esse show?
Kamau - Grande, porque é em uma praça. Já fiz alguns shows abertos ao longo da carreira, como na praça da Sé, mas, depois que vi a filmagem do show do Criolo lá (na praça Victor Civita), fiquei muito feliz pelo convite. E também porque pode ir todo mundo --está lá a censura de 16 anos, mas não se pode impedir alguém de chegar, encostar, ver qual é que é. De dia, sem cercados. O Emerson Alcalde, que participa do meu disco, vai fazer a abertura. E tem os amigos que sempre aparecem, meio que de surpresa, vamos ver o que vai rolar.

E o novo disco?
Faltava uma batida, e eu acho que ela chegou ontem. Preciso agora ajeitá-la e ver quem vai tocar os instrumentos. Estava no processo há um bom tempo, talvez não estivesse pronto, antes, para fazer o disco que queria. Sou muito meticuloso com relação a isso. Tem que ter um conceito, uma coerência, porque às vezes você junta as ideias e é só um aglomerado. Agora fiz algo que realmente me agrada.

Como você cria suas batidas?
Já produzi discos inteiros, mas não tenho criado tantas batidas, acho que perdi um pouco a mão. Por outro lado, tenho pessoas muito talentosas ao meu redor; o Nave e o Renan Samam são os caras a quem eu recorro quando quero uma batida específica. Mesmo que a gente debata e demore para chegar no resultado, sei que posso contar com eles.

Que temas te motivaram a escrever?
Tem muita coisa circulando minha mente, mas estou com ideias que remetem a um momento de transição entre um disco e outro e de reflexão interna, de fechar para balanço. O nome do disco é "Entre", porque é entre um álbum e outro, e de entre (verbo) na minha cabeça para saber o que está se passando aqui agora. Tem alguns remixes também, como "Só" e "Pretinha", que é uma releitura da Flora com o StereoDubs. E vou investir bastante na parte visual. Tenho dois videoclipes quase prontos e quero chegar a cinco ou seis.

Muitas de suas músicas mais acessadas no Youtube, por exemplo, têm letras que falam de amor, de relacionamentos, e não necessariamente dos temas mais recorrentes no rap. Como você entende isso?
Eu me lembro de quando a gente fez a primeira música do "Consequência" (grupo que teve na década de 1990 com Sagat e DJ Ajamu), que falava de relacionamentos, e a gente refletiu bastante. Não sobre o que as pessoas iam pensar, mas na reação principalmente das mulheres. Porque como estamos falando do nosso ponto de vista, e às vezes as mulheres acham que o cara está generalizando, tipo "os caras falam que as minas...", não. O Kamau é que está falando de uma pessoa específica. Acho que isso acontece porque as pessoas vivem as músicas, usam as letras para compreender suas situações. Já ouvi minas dizendo que "se o cara disser isso pra mim, eu caso!", ou caras dizendo "aquela tua música foi a que cantei para conquistar minha mina".

Você acha que a chamada "Nova MPB" consegue chegar no coração das pessoas que não estão na Vila Madalena, na Augusta?
Acho que rótulos são paradas muito perigosas. Às vezes a gente está fazendo música em continuação a alguma coisa, mas vem alguém e quer colocar um marco zero, uma divisória, e dizer que o pessoal de agora é melhor ou pior do que o de antes.

A música feita no Brasil vem de uma mesma raiz. Eu gosto muito de pessoas que vieram bem antes, gosto de várias músicas da Elis Regina, do Caetano [Veloso], do Chico [Buarque], e de contemporâneas como a Céu, a Marcela Bellas, o Criolo, enfim, da música que rouba a brisa --você está numa viagem e para tudo, vai para outra.

Então não sei se a música consegue falar com muita gente. Mas depende muito das pessoas, porque tem gente que não quer conversar, prefere ficar no seu mundinho restrito. E tem gente também que só quer ouvir o que mais ninguém ouve! Nego que devia torcer pro Emicida se popularizar, e agora que todo mundo conhece, que ele está no Planeta Atlântida [festival de música pop realizado no litoral sul do país] e tudo mais, vai dizer que virou modinha. E é a mesma pessoa, a mesma música, a mesma essência.

Quantos anos você tem?
Vou fazer 36 em 29 de fevereiro.

É casado?
Não.

Tem filhos?
Não. Mas gostaria.

O que acha da cena hip-hop feminina?
Gosto muito do rap feito pelas mulheres. Às vezes as pessoas esperam que elas façam um tipo de rap diferente, e isso não é verdade. Gosto muito do jeito que a Lurdez da Luz escreve, de como ela, nas sutilezas, dá suas cutucadas. Tem um som dela chamado "Trilhos" que é uma das melhores que já ouvi. Também gosto muito da Stefanie, não só por ter uma relação próxima, mas pelo jeito que ela faz as coisas. Ela tem muita coisa para falar. A Flora [Matos] também, a Karol [Conká]. Tenho uma boa relação com quase todas as mulheres em destaque hoje no rap.

Recentemente cheguei na Ana Tijoux [MC chilena], que a gente já tinha ouvido, mas não sabia quem era, e viramos amigos. Cheguei nela através de uma outra MC, de Detroit, chamada Invincible, de quem gosto muito também. Ela consegue rimas muito ricas. Em inglês faz mais sentido: "I'm striving to be the best, period / not just one of the best with breasts and a period." ("Luto para ser a melhor e ponto / não apenas a melhor dentre as que têm peitos e período menstrual", em tradução livre) Ela arregaça! Preciso trazê-la para o Brasil um dia.

Tem letras em inglês no disco novo?
Só uma linha: take it easy, brother [risos]. Não é minha língua original e, apesar de eu ouvir bastante, não quero soar como coisas que já ouvi. Ser crítico tem isso aí, né? Podia rimar o mais básico, "show" com "flow", tipo... [pensa] Tipo "we've got the flow, steal the show", e já era. Mas prefiro tentar até encaixar bem, como faço com minhas rimas em português.

Acesse o site Catraca Livre para saber informações sobre eventos gratuitos ou populares.

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