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04/09/2011 - 11h03

Texto de consagrado autor norte-americano explora a memória

Direção: Alvise Camozzi. Duração: 60 minutos. Não recomendado para menores de 14 anos.
As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

MARIA LUÍSA BARSANELLI
DE SÃO PAULO

Mais conhecido no Brasil por seu trabalho em cinema ("A Trapaça", de 1997), o dramaturgo americano David Mamet ganha a primeira montagem por aqui de "O Bosque", texto escrito em 1977.

André Katopodis/Divulgação
Os atores Cristine Perón e Bruno Kott em cena da peça "O Bosque", com direção de Alvise Camozzi
Os atores Cristine Perón e Bruno Kott em cena da peça "O Bosque", com direção do italiano Alvise Camozzi

A peça estreia nesta terça-feira (6), no teatro do CCBB (centro de São Paulo), após passar por Brasília e pelo Rio de Janeiro, cidades onde foi encenada em espaços alternativos --para a temporada paulistana, foram feitos ajustes no cenário.

A história acontece em três momentos (crepúsculo, noite e amanhecer), em uma casa de campo na qual o casal Nick e Ruth passa um fim de semana.

Os diálogos mostram a inquietação de ambos, e as interpretações naturalistas ressaltam o aspecto conciso da dramaturgia de Mamet.

Mas o enredo, a princípio realista, é apenas um artifício para que o espectador mergulhe nas diversas camadas do texto. Aos poucos, a narrativa quebrada, as falas entrecortadas e as lacunas na comunicação do casal criam frestas para outras tramas.

As lembranças dos personagens começam a se confundir. O que pertencia a um passa a fazer parte do repertório do outro.

Com o espetáculo, o diretor italiano Alvise Camozzi continua a explorar o tempo e a memória --pesquisa que também ficou evidenciada com "Só" (2009) e "Babel" (2010).

"É uma questão urgente. Hoje vivemos pensando no futuro e nos esquecemos do passado", diz.

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