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19/05/2008 - 07h13

Em "Foi Carmen", Antunes Filho reverencia Kazuo Ohno

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES
do Guia da Folha

"Foi Carmen", espetáculo que Antunes Filho leva ao palco do Sesc Anchieta na terça-feira (20), surgiu em 2005, quando o diretor ainda estava às voltas com sua trilogia de tragédias gregas. Em meio às preparações para a lúgubre "Antígona", o encenador destacava Juliana Galdino e Arieta Corrêa para compor uma montagem em que a palavra perdeu de vez a majestade para o corpo.

Lenise Pinheiro/Folha Imagem
Lee Thalor, Patricia Carvalho e Paula Arruda na peça "Foi Camen"
Lee Thalor, Patricia Carvalho e Paula Arruda na peça "Foi Camen"

Nessa incursão pela dança, o teatro antuniano resvala na nostalgia e na delicadeza e deixa sobressaírem os gestos, expressões e inflexões com a voz. No lugar do texto, ouve-se apenas uma fala ininteligível, a mesma língua desconexa do "fonemol" que já estava presente em "Nova Velha Estória" (1991).

A montagem, que pôde ser vista no Festival de Curitiba e no Japão, foi concebida para reverenciar Kazuo Ohno, mestre do butô que na época completava 99 anos. "Faço um poema teatral em homenagem ao Kazuo, que passou dos cem anos, e também ao centenário da imigração japonesa no Brasil", diz Antunes.

Com o festejado Lee Thalor, que compõe o novo elenco ao lado de Patricia Carvalho, Paula Arruda e da dançarina Emiln Sugai, a peça parte do paralelo que Antunes percebe entre os mitos da cantora Carmen Miranda e da bailarina La Argentina (Antonia Mercé y Luque), para quem Kazuo Ohno criou sua obra-prima.

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