Caco Ciocler retorna a São Paulo como imperador Juliano
| Direção: Sérgio Ferrara. Duração: 120 minutos. Classificação etária: 16 anos. | Leia mais no roteiro |
| As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações | |
FABIANA SERAGUSA
Colaboração para a Folha Online
A peça "Imperador e Galileu", escrita em 1873 pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen --que considerou essa como sendo sua maior obra--, reestréia nesta sexta-feira (3) e permanece em cartaz até 30 de novembro no teatro Imprensa (região central da capital paulista).
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| Caco Ciocler (à esq.), Igor Kovalewski (ao fundo) e Joaz Campos em cena do espetáculo |
Com direção de Sérgio Ferrara, o espetáculo mostra um período de importantes transformações em Roma (entre 351 e 363 d.C.), marcado pela ascensão ao trono do imperador Juliano --que se tornou polêmico ao tentar destituir a Igreja Católica como religião oficial, recebendo, inclusive, o apelido de "Apóstata".
Caco Ciocler, escolhido para dar vida ao polêmico protagonista, diz que teve idéia da grandiosidade do projeto já após a primeira leitura, realizada no auditório da Folha em novembro de 2007. "A reação foi surpreendentemente gratificante. A gente descobriu um humor e um interesse muito peculiares no texto. Eu saí extasiado da leitura."
A semelhança física entre ator e personagem também contribuiu, de acordo com Caco, para que o convite para a interpretação fosse feito. "O Sérgio [diretor] achava que o imperador era fisicamente parecido comigo, porque ele sempre usou uma barba e eu também tenho essa 'coisa' com a minha."
Humor
O público que assiste ao espetáculo se depara com uma mudança psicológica constante do imperador Juliano, que alterna momentos de extrema segurança --comandando seus subordinados com força e coragem-- a outros em que demonstra imensa fragilidade, medo e imensidão de dúvidas --sobretudo em relação aos questionamentos religiosos.
E, para conseguir equilibrar esses opostos e conferir veracidade a cada uma das ações, a concentração do ator deve ser ainda maior. "Se eu me desconcentro ou embarco em uma energia mais cotidiana, tudo acaba indo pelo ralo", conta Ciocler em entrevista exclusiva ao Guia da Folha Online. Ele fez questão de salientar a importância de um desafio como esse. "Interpretar dois aspectos extremos e que se intercalam a todo o momento é um aprendizado constante e uma satisfação para qualquer ator."
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| Com direção de Sérgio Ferrara, peça mostra um período de transformações em Roma |
Durante as duas horas em que permanece em cena --praticamente sem sair do palco--, o imperador Juliano é protagonista de conversas, discussões e brigas sobre temas religiosos e acerca do futuro do cristianismo na civilização romana. "Acho que a questão religiosa talvez seja a última fronteira que nós temos ainda que atravessar para o entendimento e o respeito entre os que pertencem à raça humana. Ainda há injustiças sociais, étnicas, geográficas, mas nesses quesitos existe ao menos um consenso do que seja certo e errado. Na religião, esse consenso é mais subjetivo e o que é certo ou errado fica meio nebuloso, relativo."
Mas, apesar de tratar de questões delicadas e proferir, sempre com muita ironia, críticas a alguns posicionamentos da Igreja Católica --em uma linguagem que arranca bons risos da platéia--, a peça não tem por objetivo dizer qual religião é boa ou ruim, mas, sim, deixar transparecer que o mais importante é que cada um tenha a liberdade de escolher em qual vertente acreditar.
"O Ibsen fala sobre a fé como instrumento de manipulação. Mas, em momento nenhum, o texto ofende a fé cristã, e sim a hipocrisia de alguns segmentos da Igreja Católica que não só não aceitam e não respeitam outras manifestações religiosas como não são capazes de viver de acordo com os preceitos que eles mesmos querem defender e ensinar", diz o ator.
Além de Caco Ciocler, "Imperador e Galileu" traz no elenco Sylvio Zilber, Abrahão Farc, Nelson Peres, Julio Machado, Joaz Campos, Ronaldo Oliva, Igor Kovalewski, Liza Scavone e Dan Rosseto.
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