Ocupação remonta curta vida de Chico Science 13 anos após tragédia
| Endereço: av. Paulista, 149, Bela Vista, região central, São Paulo, SP. Classif. etária: livre. | Leia mais no roteiro |
| As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações | |
MAYRA MALDJIAN
colaboração para a Folha Online
| Cia. de Foto/Divulgação |
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| Na entrada da "Ocupação Chico Science", fica a foto preferida da irmã do "mangueboy" |
"Estou me sentindo cerebral. Fico cerebral quando a cerveja encontra o ponto químico do meu estado, e então, entro em energia fractal". Registrados em caderninhos de anotação guardados em caixas de vidro na parede, devaneios boêmios, rascunhos de música e mapas de palco nos permitem chegar um pouco mais perto da intimidade do pernambucano Francisco de Assis França na "Ocupação Chico Science", aberta ao público desde quinta-feira (4) no Itaú Cultural (região central da cidade de São Paulo).
Veja fotos de Chico Science expostas na ocupação
Para chegar até o "coração" do cara que protagonizou o movimento mangue e revolucionou, sem querer querendo, a música brasileira, vá direto ao centro do espaço e atravesse um emaranhado espesso de fitas coloridas --que remete àquela perucona do maracatu, frequentemente vista nos shows de Science com a nação Zumbi. Do outro lado, um ambiente pequeno e claro guarda fotografias, os chapéus, roupas e óculos que eram marca registrada do músico, fitas cassete, uma disqueteira, troféus-esculturas e até mesmo uma estatueta de marinheiro, o seu "santo" protetor.
"Esse santuário é o lugar da exposição que eu mais gosto. A gente se encontra com ele, no existencial, no pensamento, sente a forma como ele trabalhava", conta Goretti França, 47, que emprestou o acervo que fez com os pertences do irmão caçula à mostra. "Ali você silencia e ouve a voz dos outros falando sobre ele. E mesmo assim não é triste, é um encontro respeitoso". Goretti, que morou muito tempo com Science, hoje vive em Salvador (BA) e trouxe a mãe, dona Rita, e a sobrinha para a abertura da ocupação. "Vez em quando eu volto para Recife para visitar meus pais e dar uma ajeitada nas coisinhas de Chico", conta.
Pelas veias do mangue
| Cia. de Foto/Divulgação |
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| Parede com cartazes e flyers de festivais nos quais Chico Science e Nação Zumbi tocaram |
Dali do coração do caranguejo cerebral, saem veias pulsantes que levam às diversas vertentes do auê cultural do mangue --que não só adubou a música, mas também as artes plásticas, a literatura, os quadrinhos--, espalhado pelas outras partes do corpo da mostra. A ocupação tem o início e o fim delimitados pela réplica do Landau que Science pilotava para lá e para cá na sua "manguetown". Infelizmente, o possante faz lembrar do acidente fatal que tirou a jovem vida do ativista apenas três anos depois do lançamento do álbum de estreia, "Da Lama ao Caos", marco do movimento.
Desse disco, do sucessor "Afrociberdelia" (1996) e de outros trabalhos do gênero, sai a música que não para. É inevitável sacodir alguma parte do corpo aos riffs de guitarra e batuques regidos pelo vocal característico de Science, enquanto os olhos percorrem a parede de cartazes e flyers colecionados por Paulo André, produtor da banda, que mostram como o grupo estourou rápido no Brasil e no exterior, em festivais como o Hollywood Rock e o Dour Festival, respectivamente, ambos em 1996. "Fazia uns dez anos que eu não mexia nesse material. Foi muito doloroso perder um artista completo e um amigo daquela maneira", desabafa.
Gire o corpo em 180 graus e acompanhe a linha do tempo do Chico Science e Nação Zumbi escrita à mão e diversas credenciais dos shows da banda. A trajetória também é contada na parede que segura fotografias de shows, ensaios, noitadas, todas enquadradas naquelas molduras laranjas de espelho de barberia, e pelos registros em vídeo, projetados no telão alojado no porta-mala do carro. É ali na traseira que reproduziram o bar Soparia, ponto de encontro de artistas recifenses na década de 90, caracterizado por pufes vermelhos --a casa tinha um disputado sofá rubro-- e uma estátua de cachorro, "mascote" do local.
"Muitos jovens que não tiveram a oportunidade de ver Chico no palco poderão assistir a vídeos com shows, documentários, ver de perto cartazes e fotos que mostram o modo como Chico interagia com outros artistas e levava essa cultura adiante", destaca Paulo André. "Infelizmente o Brasil é um país sem memória. Para você ter ideia, Recife não tem nada documentado sobre Chico, nenhum acervo relevante sobre a memória desse artista que fez a cidade ser vista com outros olhos".
| Cia. da Foto/Divulgação | ||
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| A entrada da "Ocupação Chico Science", que toma o térreo do Itaú Cultural, na região central da cidade de SP |
Confira aqui a programação de shows, cinema e palestras da "Ocupação Chico Science".
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