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26/09/2008 - 14h35

Teatro Oficina festeja 50 anos com estréia de "Os Bandidos"

Onde: teatro Oficina. Duração: 300 minutos. Não recomendado para menores de 14 anos.
As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

MARCOS DÁVILA
do Guia da Folha

Mesmo depois do final da sa­ga euclidiana de "Os Ser­tões", o cerco segue ao teatro Oficina. Mas por pouco tempo. "Vai explodir", afirma José Celso Martinez Corrêa. A estréia nesta sexta-feira (26) de "Os Bandidos", celebrando os 50 anos do espaço, traz ao foco a antiga disputa pelo entorno do teatro mais im­portante do país com o Grupo Silvio Santos. De um lado, o desejo de um teatro de estádio, pa­ra multidões. Do outro, a idéia de um conjunto habitacional (antes, era um shopping).

Marcos Camargo/Divulgação
Cena do espetáculo, baseado no texto de Schiller (1759-1805), que estréia nesta sexta
Cena do espetáculo, baseado no texto de Schiller (1759-1805), que estréia nesta sexta

"Nas 40 madrugadas em que a peça foi cria­da, fizemos feitiçaria explícita para abrir os caminhos", diz o diretor, que adaptou em versos cantados (seja em rap ou canção) a peça de Friedrich Schiller (1759-1805), "o James Dean do setecentos", como prefere Zé Celso.

Como sempre, a trama é contextualizada e permite incontáveis leituras. Silvio Santos tem o papel de Apolo. O presidente Lula é Pã. E deve servir de conciliador, tanto no teatro como na vida, no trato com o dionisíaco Oficina. "Escrevi uma carta, e o presidente foi receptivo", diz ele.

As palavras explodem na boca do diretor, mas o estouro é de primavera, de irmandade. Desta vez, o bando Uzyna Uzona quer "se en­tregar" (não no sentido de desistência, mas na leitura mais amorosa da expressão).

Na peça, a contenda entre os irmãos Karl e Franz (Cosme e Damião, na versão do Oficina) se dá além do bem e do mal. "É como se fosse a novela das oito, mas de ponta-cabeça, sem a personagem 'má'. Tocamos no tabu da socie­dade inteira", fala Zé Celso.

"Os antagonistas reais de 'Os Bandidos' es­tão na indústria armamentista. Nossa encenação aposta no sonho de um mundo desarma­do", sintetiza o diretor no programa da peça.

E como sonha os próximos 50 anos do Ofici­na? "Não acredito em tempo linear. Acredito no agora. E sempre vai haver pessoas que vi­vem o presente", afirma.

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